LIVRO: A GUERRA DAS SALAMANDRAS

20 jan

SalamandrasSabe aquele tipo de livro que é MUITO interessante mas a leitura não flui?
Pois foi o que aconteceu entre mim e A Guerra das Salamandras, livro publicado pelo escritor tcheco Karel Capek em 1936.

Para ser sincera, sei lá por que escolhi esse livro para ler. Nunca tive interesse e nunca li autores eslavos e talvez uma contracapa com “tão poderoso quanto 1984 e tão impactante quanto Admirável mundo novo, A guerra das salamandras é um dos clássicos mais importantes da literatura mundial” tenha me influenciado – apesar de não ter lido 1984 e não ter gostado (ou entendido) de Admirável Mundo Novo.  

Considerando um leitor de 2013, o livro soa bem chato. Mas a partir do momento que me dei conta que aquela história estava sendo contada em 1936, tudo adquiriu um sentido muito maior. A leitura não é linear e os acontecimento não estão sempre ligados entre si, e mesmo assim Capek conta uma história fantástica de adaptação e intolerância. 

Especialista em ficção científica – foi em uma de suas peças que apareceu pela primeira vez a palavra robô -, Capek cria um mundo em que as salamandras não são simples anfíbios, mas sim criaturas inteligentes, que aprendem a se comunicar com os homens, utilizam instrumentos e têm uma complexa vida social. A partir de então, o autor mostra como as civilizações dominantes sempre fizeram sempre que encontravam um novo povo desconhecido e sem condições de se defender: são escravizados para atender a uma crescente demanda industrial do planeta.

Com isso, as salamandras tambem assumem os papeis das civilizações subestimadas: reivindicam seus direitos, liberdade e respeito. Conforme a narrativa transcorre, as hábeis salamandras se conscientizam de seu potencial e se rebelam contra o domínio humano. Entremeando a história, é possível entrever o teor crítico do autor em relação a seu tempo, seu posicionamento político e a crítica às ideologias que começavam a se impor.

Apesar de ter levado longos SEIS meses para terminar esse livro, recomendo muito a leitura. Apesar de ser um autor de seu tempo (o livro foi publicado em 1936 e Capek morreu em 1938), sua obra permite interpretações, seja com as salamandras representando os judeus no regime que se acirraria nas vésperas e no decorrer da II Guerra Mundial – o que faria de Capek alguém com uma excelente visão histórica e geopolítica diferenciada, o que realmente não descarto.

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