Arquivo | Livro RSS feed for this section

LIVRO: RITOS DE ADEUS

20 fev

Se minha última leitura demorou dois séculos para ser terminada (Salamandras do mundo, te dedico), o último livro que li foi um tiro.
Antes de mais nada, digo que SIM, livros são julgados pela capa.
E a capa – e a tradução em português do título – é uma lástima:

ritos

Mas esse livro caiu nas minhas mãos e eu li a orelha dele, e fiquei bem interessada.
Primeiro: o livro é sobre uma mulher, e apesar de não ser aquela pessoa feminista, gosto de histórias de mulheres, principalmente as mais fortes.
Segundo: a história se passa na Islândia, que é um país que passei a ter uma certa vontade de conhecer depois de ter visto o filme do Ben Stiller (podem me julgar, eu ADOREI um filme do Ben Stiller).
Terceiro: é uma história real, com um enredo muito interessante e contado por três pontos de vista distintos.

O primeiro deles é Agnes Mágnusdótir, a última pessoa a ser condenada à pena de morte na Islândia. A segunda é Tóti, o reverendo assistente que Agnes escolhe para acompanhar seus últimos dias. A terceira é Margrit, a mãe da família que acolhe – contra sua vontade – Agnes antes dela ser decapitada. No começo do livro, temos uma criada que, ao lado de duas outras pessoas, matou dois homens e botou fogo em uma fazenda no interior na Islândia.

Porém, conforme a história é contada, essa história flat é recheada de fatos, cores e nuances. As personagens tomam forma, mostram sua essência, personalidades e fatos tomam forma e dão consistência à história. “O importante não é o destino, mas sim a jornada” (feat. Mark Twain), o final já é sabido, mas a jornada, essa vale a pena ler.

Anúncios

LIVRO: A GUERRA DAS SALAMANDRAS

20 jan

SalamandrasSabe aquele tipo de livro que é MUITO interessante mas a leitura não flui?
Pois foi o que aconteceu entre mim e A Guerra das Salamandras, livro publicado pelo escritor tcheco Karel Capek em 1936.

Para ser sincera, sei lá por que escolhi esse livro para ler. Nunca tive interesse e nunca li autores eslavos e talvez uma contracapa com “tão poderoso quanto 1984 e tão impactante quanto Admirável mundo novo, A guerra das salamandras é um dos clássicos mais importantes da literatura mundial” tenha me influenciado – apesar de não ter lido 1984 e não ter gostado (ou entendido) de Admirável Mundo Novo.  

Considerando um leitor de 2013, o livro soa bem chato. Mas a partir do momento que me dei conta que aquela história estava sendo contada em 1936, tudo adquiriu um sentido muito maior. A leitura não é linear e os acontecimento não estão sempre ligados entre si, e mesmo assim Capek conta uma história fantástica de adaptação e intolerância. 

Especialista em ficção científica – foi em uma de suas peças que apareceu pela primeira vez a palavra robô -, Capek cria um mundo em que as salamandras não são simples anfíbios, mas sim criaturas inteligentes, que aprendem a se comunicar com os homens, utilizam instrumentos e têm uma complexa vida social. A partir de então, o autor mostra como as civilizações dominantes sempre fizeram sempre que encontravam um novo povo desconhecido e sem condições de se defender: são escravizados para atender a uma crescente demanda industrial do planeta.

Com isso, as salamandras tambem assumem os papeis das civilizações subestimadas: reivindicam seus direitos, liberdade e respeito. Conforme a narrativa transcorre, as hábeis salamandras se conscientizam de seu potencial e se rebelam contra o domínio humano. Entremeando a história, é possível entrever o teor crítico do autor em relação a seu tempo, seu posicionamento político e a crítica às ideologias que começavam a se impor.

Apesar de ter levado longos SEIS meses para terminar esse livro, recomendo muito a leitura. Apesar de ser um autor de seu tempo (o livro foi publicado em 1936 e Capek morreu em 1938), sua obra permite interpretações, seja com as salamandras representando os judeus no regime que se acirraria nas vésperas e no decorrer da II Guerra Mundial – o que faria de Capek alguém com uma excelente visão histórica e geopolítica diferenciada, o que realmente não descarto.

MULHERES FORTES

8 maio

Depois de ler a biografia de Liane de Pougy, fiquei ainda mais apaixonada pela Belle Epoque, pelas cortesãs e pelas histórias de homens podres de ricos que gastavam o dinheiro que tinham e aquele que não tinham para satisfazer os caprichos dessas mulheres.

Daí que aqui no meu trabalho teve uma “feirinha” de livros (na verdade, os livros são colocados na bancada por onde todos passam e quem quiseer, pode levar os livros que quiser), e caiu nas minhas mãos este aqui:

Dizem que com seu charme, presença e senso de humor, Marion Davies poderia ter sido a maior humorista de todos os tempos. Protegida de Hearst, a insistência do amante em escalá-la para papéis nada a ver lhe custou o reconhecimento como atriz.

 Na contracapa, já sabemos a que veio: histórias de amantes. Amantes de reis, nobres, músicos, milionários, homens que fizeram de tudo por mulheres que fizeram de tudo por eles. São oito mulheres fascinantes: Barbara de Villiers, amante do Rei Charles II; Madame de Montespan, que recorreu a feitiçaria e sacrifício humano para segurar o Rei Luis XIV; Emma Hamilton, que enlouqueceu Lord Nelson; Lola Montez, que custou ao rei Luis I o trono da Baviera; a escritora George Sand, intelectual e libertária; La Belle Otero, a cortesã espanhola da Belle Époque que ganhou uma ilha do Imperador Japonês; Eva Braun, a companheira de Hitler e Marion Davies, a amante do magnata das comunicações, William Hearst. Mulheres que não ficaram à margem e que, ao contrário da postura feminina vigente, foram à luta pelo que desejavam.

Confesso, a história que me interessou, a princípio, foi a da Belle Otero – que, de fato, é fascinante. Mas todas são interessantes, os textos de cada uma não são muito longos, a leitura é fácil e apresenta uma visão geral bem atraente de quem foram essas mulheres. Para mim, que adoro uma história (que parece mais uma fofoca) contada com detalhes, ficou um mega gosto de quero-mais. Mas para começar a conhecer mulheres fora da curva, gauches, loucas e divas, em épocas que o que se esperava delas passava longe do que entregaram, vale bem a pena! Foram 378 páginas devoradas em menos de 4 dias… 😉

Resenha da Folha aqui.